Saturday, October 14, 2006

De volta a "realidade" (?)

De maio pra cá o tempo passou rápido, parece que esses 5 meses de viagem voaram... Quando eu cheguei em Florianópolis muitos me disseram isso. E eu também sempre digo, “é passou rápido... mas ao mesmo tempo sinto que vivi mais de 1 ano, de tanta coisa que conheci, por tantos lugares que passei”. Os últimos dias em Paris foi como eu mencionei no capitulo anterior, fiquei relembrando de toda a minha “aventura” e na real estava me preparando psicologicamente para retornar a realidade brasileira, a realidade da minha família, a minha realidade do dia-a-dia. Alem disso, também fiz alguns passeios. Fui a um café muito agradável no Odeon com as duas francesas que conheci em Barcelona, eu e a Vanessa fomos ao cinema assistir “Little Miss Sunshine” (excelente), acompanhei a Van nos passeios ensolarados com a Belinha, tudo muito relax, com amigos e em família.

Mas será que a minha realidade do dia-a-dia é a mesma de quando eu embarquei para a China?? Creio que não... Eu mudei, meus amigos mudaram, minha família principalmente. Quando desembarquei no aeroporto de Floripa as 14:30h de 07/10/2006 (sábado) a emoção era enorme. Minha mão tremia... Desde a conexão em Guarulhos/SP eu já estava chorando. Minha família estava “toda” lá, meus irmãos, minha cunhada Silvana, meus pais, minhas sobrinhas lindas Beatriz e Sarah e minhas amigas queridas Jana e Karen. Foi uma mistura de sentimentos indescritível... Ao mesmo tempo que queria abraçar a todos, queria beijar com força minha nova sobrinha e dar um abraço muiiiiiiiiiiiito apertado no meu irmão Felipe. Ai, como estava precisando dar esse abraço nele. Ganhei muitas flores e cartões com palavras de carinho. Saímos todos de lá e fomos para casa, pois minha mãe tinha preparado um almoço especial para mim. O cardápio era: camarão ao catupiry, picanha, filé de porco, salada, arroz e de sobremesa TIRAMISU!!!!!

Todos ficaram horrorizados com o peso que eu carregava nas costas. Me fizeram colocar o mochilão e tiraram fotos. Era a primeira vez que a família se reunia depois de todos esses meses. A presença da minha querida cunhada Josi e meu sobrinho Arthur era muito forte entre a gente. Eu podia senti-los por perto o tempo todo. Essa adaptação da vida sem ela é o que eu mais temia em encontrar. O almoço foi muito lindo, conversamos, rimos, nos deliciamos com a comida... Em um determinado momento o André e a Silvana fizeram o convite para eu e o Felipe sermos padrinhos da Sarah. Nossa!! Eu sempre quis ser madrinha, era um dos meus sonhos que ainda não tinha realizado... Imagina ser madrinha de uma sobrinha tão linda, risonha e amada como a Sarah! Fiquei toda boba... Eu e o Felipe aceitamos no ato! Não era questão nem de agradecer, e sim de aceitar uma pessoinha tão preciosa como nossa afilhada.

O final de semana foi inteirinho de chamego com a família. Não desgrudei! Além que também estava com a diferença do fuso horário de 5 horas no meu corpo. No domingo ainda falei no telefone com a Juju (amiga do Rio), com a Jana e com a Karen. Minha mãe e o Felipe voltaram para Curitiba e eu fiquei com meu pai em casa. Os primeiros dias da semana (2ª e 3ª feira) foram para eu me organizar um pouco, ir a dois médicos que tinha marcado para fazer um check-up, ir à casa do André, me recuperar um pouco no salão de beleza (cortar e pintar o cabelo, fazer as unhas) e almoçar com a Jana. Na 4ª feira pela manhã eu e meu pai viemos para Curitiba.

Foi impactante (sem palavras) chegar na casa do Felipe... Ainda estou vivendo esses dias aqui com meu irmão, que a cada dia vai se recuperando aos pouquinhos, num ciclo repleto de altos e baixos. A força que ele tem é incalculável... Ainda não entendemos porque certas coisas acontecem na nossa vida. Talvez nunca iremos entender, só quando também passarmos para o outro lado. Só a recuperação da fé, a crença em Deus e o amor de todos (família e amigos) é capaz de ajudar, pelo menos um pouco. O maior trabalho é ele que tem que fazer, a cada minuto, em cada vez que ele abre os olhos pela manhã... E nisso eu só tenho que admirá-lo!

Ao mesmo tempo encontrei um Brasil que só fala das eleições para presidente, do acidente da Gol que matou 154 pessoas, do teste de bombas nucleares feito pela Koreia do Norte e do lançamento da nova novela das 6 da Rede Globo. Nada mudou! As notícias são as mesmas, troca ano, muda o acidente, começa a ameaça de uma nova guerra, os políticos corruptos permanecem e outros surgem, a maior rede de TV do país funciona como uma espécie de alienação para o povo. Um país que ao meu entender está doente, massacrado com a falta da real informação, tendo pessoas incompreensíveis no poder, como Clodovil, Fernando Collor e Paulo Maluf, sem falar do “Outro” (como meu pai disse), que é nosso “cruz credo” presidente da república.

Entregar nas mãos de Deus e fazer cada um sua parte, cada um que é consciente do que é melhor para todos. Agora, devagar, volto a procurar emprego, volto a usar as roupas do meu guarda roupa, a colocar sapatos fechados, a me maquiar, a usar meu celular, a dirigir... Mas não consegui me desligar do tênis (como é confortável andar de tênis) e das havaianas. Não dou mais tanta importância à sociedade como antes. Ando de acordo com os meus valores e com o meu conforto. Sem neurose, sem padronização... Não consigo olhar para a capa de revistas como a Caras, assistir novelas... Na livraria olho para revistas como National Geoghrafic, livros de viagem, história, atualidades, ficção baseado em histórias reais... Hoje vejo tudo com outros olhos e como disse em um dos meus capítulos do blog “Uma viagem dentro de mim”, ainda não sei e talvez nunca saiba do valor que carrego depois desse filme lindo em que eu fui a protagonista. Estou de volta... Um “eu” igual e bem diferente do que era!


Ps.: Gostei tanto de escrever, que ainda não sei se irei parar...

Tuesday, October 03, 2006

Os ultimos dias do resto da minha vida

Ca estou eu de volta em Paris, na casa da Vanessa, Stephane e Isabela. Rodei pela Europa durante 20 dias (tirando 1 semana que passei por aqui antes)... Gent, Bruges, Roma, Firenzi, Siena, Pisa, Barcelona, Granada, Madri e Toledo. Voltei porque meu voo para o Brasil sai dia 06/10 da Cidade Luz. Nenhum sacrificio, nao?! Mais 6 dias em um pais que muito me atrai pela beleza, amigos, cultura e gastronomia.
Durante todos esses ultimos dias passa um filme na minha cabeca de toda a viagem. Eh uma revolucao de sentimentos. Estou cansada de me mudar, arrumar mochila, pegar trem, onibus e aviao, procurar albergue ou hotel, comer em restaurantes ou bares, ter que dormir em camas de todos os tipos e com travisseiros de todos os tipos, usar saboneteira e necesseire, usar sempre as mesmas roupas e sapatos (?), nao ter privacidade, sentir saudade da familia e dos amigos.
Ao mesmo tempo posso dizer que faria tudo de novo, da mesma forma ou do avesso. Para os mesmos paises ou para outros completamente diferentes. Viver o novo, me transportar, saber que existem lugares melhores e piores do pais que eu vivo, ouvir outras linguas, entender que cada povo tem sua caracteristica, andar em meios de transporte unicos, experimentar sabores exoticos, escutar musicas das mais diversas, conhecer diferentes religioes, visitar templos, mesquitas, sinagogas, stupas, pagodas, igrejas e capelas, entrar em museus, fortes, castelos, palacios, monumentos e ruas, subir em torres, muralhas, montanhas e edificios, sentir a energia do mar, rio e lago de diferentes lugares, entender o comportamento de cada pais e se comunicar da forma mais adequada (sendo atraves das palavras, modo de agir e se vestir), tirar fotos e depois aprescia-las... Infinitos motivos que me fazem crer que daqui pra frente (se Deus tambem quiser) continuarei a buscar novidades ou reviver encantos. Seja em 15 dias, 1 mes ou mais.
Antes ate eu mesma era preconceituosa em relacoes a algumas regioes. Pura ignorancia! Vietnam, Laos, Cambodja, Turquia, Israel, Russia, Cuba, Mongolia... Nunca estiveram na minha lista. Porque?! Cada lugar tem sua beleza, seu povo e sua cultura. Nepal? Nunca pensei que pisaria um dia e foi um dos paises que mais me marcou! Thailandia? Nao estava na minha programacao inicial e foi o pais pelo qual me apaixonei.
Agora eh a hora de colocar em prioridades as proximas viagens. Conhecer cidades no Brasil que ainda nao fui, visitar parte da America do Sul e Central, continuar a conhecer a Europa e a Asia, ir para a Australia e Nova Zelandia. Parece sonhar muito grande? Pode ser que sim. Mas quem disse que eu nao posso sonhar grande?! Ainda mais que agora sei o quanto eh possivel realizar. Basta querer, ter saude, se empenhar e organizar. Sozinha, com amigos, com namorado ou marido, com familia, com amigos, de ferias, a trabalho, periodo sabatico, horas de voo ou percursos curtos... Viajar eh sempre possivel. Os lugares so variam por questao de tempo, condicoes financeiras e interesse.