De volta a "realidade" (?)
De maio pra cá o tempo passou rápido, parece que esses 5 meses de viagem voaram... Quando eu cheguei em Florianópolis muitos me disseram isso. E eu também sempre digo, “é passou rápido... mas ao mesmo tempo sinto que vivi mais de 1 ano, de tanta coisa que conheci, por tantos lugares que passei”. Os últimos dias em Paris foi como eu mencionei no capitulo anterior, fiquei relembrando de toda a minha “aventura” e na real estava me preparando psicologicamente para retornar a realidade brasileira, a realidade da minha família, a minha realidade do dia-a-dia. Alem disso, também fiz alguns passeios. Fui a um café muito agradável no Odeon com as duas francesas que conheci em Barcelona, eu e a Vanessa fomos ao cinema assistir “Little Miss Sunshine” (excelente), acompanhei a Van nos passeios ensolarados com a Belinha, tudo muito relax, com amigos e em família.Mas será que a minha realidade do dia-a-dia é a mesma de quando eu embarquei para a China?? Creio que não... Eu mudei, meus amigos mudaram, minha família principalmente. Quando desembarquei no aeroporto de Floripa as 14:30h de 07/10/2006 (sábado) a emoção era enorme. Minha mão tremia... Desde a conexão em Guarulhos/SP eu já estava chorando. Minha família estava “toda” lá, meus irmãos, minha cunhada Silvana, meus pais, minhas sobrinhas lindas Beatriz e Sarah e minhas amigas queridas Jana e Karen. Foi uma mistura de sentimentos indescritível... Ao mesmo tempo que queria abraçar a todos, queria beijar com força minha nova sobrinha e dar um abraço muiiiiiiiiiiiito apertado no meu irmão Felipe. Ai, como estava precisando dar esse abraço nele. Ganhei muitas flores e cartões com palavras de carinho. Saímos todos de lá e fomos para casa, pois minha mãe tinha preparado um almoço especial para mim. O cardápio era: camarão ao catupiry, picanha, filé de porco, salada, arroz e de sobremesa TIRAMISU!!!!!
Todos ficaram horrorizados com o peso que eu carregava nas costas. Me fizeram colocar o mochilão e tiraram fotos. Era a primeira vez que a família se reunia depois de todos esses meses. A presença da minha querida cunhada Josi e meu sobrinho Arthur era muito forte entre a gente. Eu podia senti-los por perto o tempo todo. Essa adaptação da vida sem ela é o que eu mais temia em encontrar. O almoço foi muito lindo, conversamos, rimos, nos deliciamos com a comida... Em um determinado momento o André e a Silvana fizeram o convite para eu e o Felipe sermos padrinhos da Sarah. Nossa!! Eu sempre quis ser madrinha, era um dos meus sonhos que ainda não tinha realizado... Imagina ser madrinha de uma sobrinha tão linda, risonha e amada como a Sarah! Fiquei toda boba... Eu e o Felipe aceitamos no ato! Não era questão nem de agradecer, e sim de aceitar uma pessoinha tão preciosa como nossa afilhada.
O final de semana foi inteirinho de chamego com a família. Não desgrudei! Além que também estava com a diferença do fuso horário de 5 horas no meu corpo. No domingo ainda falei no telefone com a Juju (amiga do Rio), com a Jana e com a Karen. Minha mãe e o Felipe voltaram para Curitiba e eu fiquei com meu pai em casa. Os primeiros dias da semana (2ª e 3ª feira) foram para eu me organizar um pouco, ir a dois médicos que tinha marcado para fazer um check-up, ir à casa do André, me recuperar um pouco no salão de beleza (cortar e pintar o cabelo, fazer as unhas) e almoçar com a Jana. Na 4ª feira pela manhã eu e meu pai viemos para Curitiba.
Foi impactante (sem palavras) chegar na casa do Felipe... Ainda estou vivendo esses dias aqui com meu irmão, que a cada dia vai se recuperando aos pouquinhos, num ciclo repleto de altos e baixos. A força que ele tem é incalculável... Ainda não entendemos porque certas coisas acontecem na nossa vida. Talvez nunca iremos entender, só quando também passarmos para o outro lado. Só a recuperação da fé, a crença em Deus e o amor de todos (família e amigos) é capaz de ajudar, pelo menos um pouco. O maior trabalho é ele que tem que fazer, a cada minuto, em cada vez que ele abre os olhos pela manhã... E nisso eu só tenho que admirá-lo!
Ao mesmo tempo encontrei um Brasil que só fala das eleições para presidente, do acidente da Gol que matou 154 pessoas, do teste de bombas nucleares feito pela Koreia do Norte e do lançamento da nova novela das 6 da Rede Globo. Nada mudou! As notícias são as mesmas, troca ano, muda o acidente, começa a ameaça de uma nova guerra, os políticos corruptos permanecem e outros surgem, a maior rede de TV do país funciona como uma espécie de alienação para o povo. Um país que ao meu entender está doente, massacrado com a falta da real informação, tendo pessoas incompreensíveis no poder, como Clodovil, Fernando Collor e Paulo Maluf, sem falar do “Outro” (como meu pai disse), que é nosso “cruz credo” presidente da república.
Entregar nas mãos de Deus e fazer cada um sua parte, cada um que é consciente do que é melhor para todos. Agora, devagar, volto a procurar emprego, volto a usar as roupas do meu guarda roupa, a colocar sapatos fechados, a me maquiar, a usar meu celular, a dirigir... Mas não consegui me desligar do tênis (como é confortável andar de tênis) e das havaianas. Não dou mais tanta importância à sociedade como antes. Ando de acordo com os meus valores e com o meu conforto. Sem neurose, sem padronização... Não consigo olhar para a capa de revistas como a Caras, assistir novelas... Na livraria olho para revistas como National Geoghrafic, livros de viagem, história, atualidades, ficção baseado em histórias reais... Hoje vejo tudo com outros olhos e como disse em um dos meus capítulos do blog “Uma viagem dentro de mim”, ainda não sei e talvez nunca saiba do valor que carrego depois desse filme lindo em que eu fui a protagonista. Estou de volta... Um “eu” igual e bem diferente do que era!
Ps.: Gostei tanto de escrever, que ainda não sei se irei parar...
