Wednesday, August 30, 2006

Ultimos momentos na India... Namaste!

Rishikesh eh uma cidade considerada a capital mundial do yoga e da meditacao, tudo na cidade eh voltado para isso, desde os hoteis ate os inumeros lugares para relaxamento (massagens, reiki e aulas de musica). O estilo das pessoas que visitam a cidade eh completamente zen, muitos estilo rarekhrishna, e a grande (grande mesmo) maioria era israelense! Creio que tinha mais ate do que na Thailandia...
Acho que tem mais israelense viajando do que morando no proprio pais. Logico, quem gosta de viver num pais em constante guerra? O interessante eh a mistura (assim como os brasileiros) que eles tem. Eh possivel ver israelense loiro, de olho azul ou castanho, ruivo, moreno, mulato, cabelo liso ou encaracolado... O que distingue eh o idioma.
Ficamos num hotel que tinha aula de yoga e pratica de meditacao. A ideia era praticar, porem acabamos ficando apenas rodeados daquele clima relax. Passavamos o dia escrevendo, lendo e organizando nossas coisas antes de irmos para Europa.
O Rio Gange (aquele que eh considerado sagrado pelos hindus e que passa em Varanasi), tem sua nascente proxima a Rishikesh. Por isso a agua eh bem limpinha. A varanda do nosso quarto ficava praticamente em cima do rio. Logico que aproveitamos para nos banhar nas aguas sagradas... Os homens podem entrar de sunga, cueca ou ate mesmo nu (vi alguns). Ja as mulheres, so de roupa! Sentiu a diferenca no tratamento??!! Foi assim que eu fui, de biquini mas com canga e blusa por cima! Que agua gelaaaaaaaaaaaaaaaaaada!! Parece Barra da Tijuca (Rio) ou Praia Mole (Floripa) no verao... Mas foi bem refrescante e energizante! O dificil foi me equilibrar, pois o rio estava com uma correnteza super forte. Nada que um mergulho no rasinho nao resolva...
Pegamos cada por do sol muito lindo em Rishikesh... As 19h todos os dias os indianos tem um ritual de ir a beira do rio e fazer uma reza com velas, insenso, flores e doces... Tudo oferecendo aos Deuses e pedindo paz e protecao. Eh interessante ver e gostoso ficar sentado admirando e ouvindo a reza... O periodo na India e no Nepal foram muito ligados a espiritualidade, uma forma de se conectar com um mundo diferente, alem do que vivemos em carne e osso. Passei por muitos momentos de reflexao, nao so quando estava em templos ou em stupas, mas muitas vezes tambem caminhando pelas ruas e vendo as pessoas, o modo de vida delas...
A intencao de vir para esses paises nao pode ser apenas turistica e material... Quem vem somente pensando nisso acaba que tem a impressao de ter feito uma viagem totalmente desgastante... Digo isso pq os contrastes sao muito grandes, ate mesmo em relacao ao Brasil. Outra questao eh o sentimento de desapego... Frescura nem pensar!! Quem nao gosta de insetos, sujeira, viajar em onibus desconfortaveis e lotados, barulho e pobreza, ou vem e procura ver tudo isso como a parte "aventureira" da viagem ou nem vem! Eh logico que quem tem mais dinheiro e nao viaja como simples muchileiro acaba conseguindo um pouco mais de conforto... Mas as ruas sao iguais para todos os tipos de turista!
No nosso quarto em Rishikesh por exemplo tinha um ratinho que foi complicado de pegarmos! Dormimos 2 noites sabendo que ele existia... E um dia de manha cedo vimos ele preso na ratoeira que o hotel providenciou... Nao vou dizer que dormi tranquiiiiila... mas... dormi! Coisas de India, um dia vc eh surpreendido com uma visita dessas!
Estou saindo de um pais quase miseravel para o Primeiro Mundo!! Sera um choque muito grande (parecido com o de Hong Kong pra ca), principalmente pq sera a primeira vez que visitarei a Europa... Sinto em parte saudade de muitos momentos que vivi nesses 1 mes e 1/2 entre a India e o Nepal, de ter viajado com meu amigo Fred, das fotos maravilhosas que tiramos... Ao mesmo tempo sei que cheguei no meu limite e que estou cansada de passar pelos "perrengues" inevitaveis por aqui. Missao cumprida, espirito com boas energias, novos conhecimentos e aprendizados! Eh hora de respirar novos ares... E o que vem pela frente creio que serao ares mais tranquilos, mais "faceis", porem mais caros de serem percorridos! Depois de 6 dias em Rishikeh, dia 03/09 (domingo) voo para Paris!

Ps.: Sinto falta da minha familia, dos meus amigos...

Na casa de Dalai Lama...

Na real Dalai Lama mora em um dos distritos de Dharamsala (19 mil habitantes). Era preciso viajar mais 30 minutos de onibus e subir para 1700 metros de altitude para chegarmos em Mc Leod Ganj. Eh como se fosse um pequeno bairro, com 3 ruas estreitas repletas de lojinhas, boas opcoes de bares e restaurantes e varios hoteis com caracteristicas simples. Passamos 3 dias la. A temperatura estava mais que agradavel para caminhar (algumas vezes chovia, mas a maior parte do tempo nao). Visitamos um monasterio que ficava afastado, no meio da natureza, calmo e bem silencioso. Ali eu pude ver um pouco como os monges vivem. Eles passam o dia rezando, lendo, estudando, jogando entre eles, conversando... Tambem cuidam de suas proprias coisas, como fazem sua comida, lavam suas roupas e limpam suas casas. Muitos sao bem simpaticos. O sentimento de paz naquele lugar era muito grande!
Depois fomos para outro monasterio, onde fica localizado a casa de Dalai Lama. Porem "Tio Dalai" nao estava... Como eh de costume, pq acho que ele "compete" com o nosso presidente Lula em numero de viagens. Dessa vez tinha ido para a Mongolia... Uma pena! Mas ja conseguimos ver como eh a influencia do Tibet e da religiao budista na regiao. Grande parte das pessoas que moram ali sao nascidas no Tibet, mas se mudaram para Dharamsala devido a invasao chinesa de 1949. Acho que se um dia eles conseguirem a liberdade perante a China a cidade perde pelo menos metade da populacao, principalmente porque o governo voltaria para seu lugar de origem.
A cidade foi perfeita para desestressar das inumeras conexoes durante as viagens, do calor infernal que estavamos pegando desde que atravessamos do Nepal e das grandes cidades, entupidas de gente e barulhentas. Alem de descansarmos aproveitamos para fazer as compras da India. Resolvemos deixar para o final da viagem pois assim poderiamos despachar para o Brasil ou eu mesma poderia levar comigo ate a Franca, pois deixaria na casa da Vanessa enquanto percorresse a Europa.
Comprar na India eh um serio problema! Primeiro porque as coisas sao muito lindas (bolsas, roupas, pratas, enfeites para casa) e segundo porque sao mais baratas do que se fossemos comprar no Brasil. A tentacao eh muito grande. Eu, por exemplo, nao conseguia passar por uma lojinha de prata sem dar pelo menos uma espiada. Como minha viagem eh estilo economica, comprei o extremamente necessario e o que realmente foi impossivel de resistir. Pra uma mulher vaidosa ate que eu me comportei muitissimo bem.
Depois de um certo tempo de viagem adotamos um metodo em relacao a alimentacao... Se gostassemos de um restaurante e esse fosse pratico de ir, iriamos sempre nele, sem ficar testando outros. Assim fizemos em Mc Leod Ganj, almocavamos e jantavamos sempre no mesmo lugar. O cafe da manha optavamos em ter no nosso hotel mesmo (Green Hotel). Foi comida italiana e sopa de momo (especie de rondelli) todos os dias, tudo vegetariano. A comida era gostosa, o servico era bom e a cozinha era aparentemente limpa. Tinhamos feito assim tambem em Darjiling, Kathmandu e Pushkar.
Como meu voo para Paris ficou marcado para sair de Delhi dia 03/09, resolvi seguir com o Fred para a ultima cidade da India. O voo dele ficou marcado para Londres dia 04/09. Saimos de Dharamsala dia 27/08 de onibus, o que foi uma verdadeira guerra para entrar e pegar um lugar para sentar... Salve-se quem puder! La fomos nos com nossos mochiloes monstros, mochilinhas, sacola de comida e mais minha sacola nova com as compras. Enfrentamos 4 horas ate Chakkibank e de la pegamos o trem para nosso destino, Rishkesh, que levou 10 horas de viagem.



Eu, na fronteira com o Paquistao!

Chegamos em Amritsar exaustos, praticamente dois "cadaveres". Tinhamos visto fotos de um templo Sikh no guia Loonely Planet (nossa "Biblia") e decidimos que no dia seguinte iriamos visita-lo. Ao sairmos do hotel pela manha nos deparamos com uma cidade entupida, com mais de 1 milhao de pessoas reunidas num espaco geografico nao tao grande. Tirando o calor (abafado) e o sol! Tomamos cafe e fomos direto para o Golden Temple (Templo de Ouro). Para entrar todos precisam tirar os sapatos, lavar os pes e cobrir os cabelos com uma manta ou um lenco. Quando colocamos os pes la dentro ficamos de queixo caido devido a tanta beleza e tanta gente que peregrinava ao seu redor! Lindo, lindo, lindo! Outro momento impressionante da viagem... O Templo de Ouro fica dentro como se fosse de um complexo. Ao seu redor tem um "lago" onde os Sikhs se banham (a agua eh considerada sagrada). E todos ficam ao redor desse "lago", andando em sentido horario, rezando. Todos que trabalham no templo e ao seu redor sao voluntarios, por isso nao eh necessario pagar nada para entrar e qualquer bebida eh vendida pelo preco de custo. Tudo ali tem seu preco justo e todas as pessoas trabalham por prazer e a favor da preservacao daquele lugar que parecia ser magico.
Fomos levados por alguns Sikhs para visitar um museu de quadros que tinha dentro do complexo. As pinturas mostravam a historia da religiao, como seus principais lideres, momentos de tortura para quem ia contra sua lei e batalhas (guerras religiosas). Algumas imagens chocavam!
Nesse mesmo dia, final de tarde, fomos para Atari (cidade que fica na fronteira entre o Paquistao e a India). Todos os dias as 18h acontece uma cerimonia de arreamento das bandeiras dos dois paises e eles fizeram disso uma "peca teatral", uma encenacao comica de rivalidade. Assim, como se fosse Brasil e Argentina. Mas o que eh interessante eh que India e Paquistao sao realmente vizinhos inimigos. Existe ate arquibancadas e torcida dos dois lados, com bandeirinhas e chefe de torcida! Mesmo acontecendo todos os dias, lota. Principalmente do lado indiano. Eh ilario... Uma festa! Dura aproximadamente 30 minutos e quando termina parece final de jogo de futebol... Onibus lotados e centenas de pessoas caminhando numa mesma direcao.
Depois de 2 noites em Amritsar e de ver coisas impressionantes, partimos para Dharamsala, cidade do Dalai Lama (precisa de apresentacao?), no estado mais ao norte da India, Himachal Pradesh. Acabou que a nao possibilidade de fazer o safari no deserto nos proporcionou mais tempo e pudemos conhecer novas culturas...

Safari no deserto?...

Saimos de Udaipur ainda embaixo de chuva. Ha mais de 2 dias nao parava de chover e as ruas ja estavam alagadas. Nosso onibus passou por varios "lagos" e conseguimos ver a tragedia de muitas casas que foram invadidas pela agua. Ha anos nao chovia tanto na regiao!
Levamos 8 horas ate Jodhpur e a ideia era pegar um onibus que nos deixaria em 6 horas em Jaisalmer. Mas a viagem demorou mais do que o previsto e tivemos que dormir por la. Achamos uma guesthouse super aconchegante e de la so saimos no dia seguinte para darmos uma volta pela cidade e visitar um forte super imponente chamado Meherangarh. Ficamos encantados com Jodhpur! As casas sao predominantemente azuis. Por causa disso a vista que tinhamos do forte era impressionante. Tambem nos surpreendemos ao caminhar por Meherangarh, pois tinha muito mais indianos que estrangeiros. Alem disso vimos varias manisfestacoes tipicas, como rezas, musicos e dancas... O Fred ainda deu uma de musico e ficou um bom tempo com os indianos... Teve plateia e tudo, ate dinheirinho pela boa performance do grupo.
Acabou que a parada involuntaria na cidade foi bastante vantajosa. Mas as noticias que tinhamos era que as estradas para Jaisalmer estavam muito precarias por causa das chuvas no Rajastao e que o safari no deserto com camelo acabaria se transformando em uma travessia a nado! Infelizmente (ou felizmente) tivemos que desistir e decidimos ir no mesmo dia para Amritsar, uma cidade localizada bem proxima da fronteira do Paquistao.
Pegamos a noite um sleeper bus (credo) para Delhi e de la saimos de trem expresso para Amritsar. Praticamente mais de 24 horas de viagem! Tanto na estacao de trem quanto no vagao a predominancia de homens e de homens com turbantes na cabeca era bastante visivel. Isso porque estavamos indo para uma regiao que grande parte das pessoas seguem a religiao Sikh (algo semelhante, porem diferente do mulcumano).

Saturday, August 19, 2006

Direto para o Rajastao!!

Eita nois!! Depois da fronteira pegamos mais 3 horas de onibus, chegamos a noite numa cidade chamada Gorakhpur, dormimos la uma noite e no outro dia enfretamos 24 horas de trem ate Jaipur, conhecida como Cidade Rosa, capital do Rajastao. A placa dos carros da India comecam com as iniciais do estado de onde eles sao... Aqui no Rajastao eh RJ!! Poderia ser Rio de Janeiro, mas nao... eu estou mesmo aqui na India, a alguns milhares de quilometros das praias maravilhosas e favelas do Rio!
Jaipur eh uma cidade bem mais civilizada comparada com as outras que visitamos antes de irmos para o Nepal. Parecia outra India dentro da India. Ainda eh possivel ver vacas e agora muitos camelos no meio da rua, mas as pessoas sao um pouco mais parecidas com o estilo ocidental e existe mais limpeza.
Chegamos um dia antes do feriado da Independia, que foi dia 15/08, mas mesmo assim, mesmo no dia do feriado conseguimos visitar todos os lugares que tinhamos programado. Conhecemos um casal de franceses e com eles fomos a palacios antigos (um cheio de pessoas andando de elefantes), andamos pelas ruas e bazares da famosa Cidade Rosa (que de rosa nao vi quase nada, vi eh muito predio azul) e assistimos ao por do sol de um dos palacios que visitamos, onde tinhamos uma vista muito linda de toda Jaipur.
No outro dia pela manha seguimos para Pushkar... Foram 3 horas de viagem e chegamos em uma cidade bem menor e que a atracao principal era as manifestacoes religiosas ao redor do lago sagrado (assim como o Rio Gange). Ali as pessoas alem de rezar, bebiam a agua e se banhavam sem preocupacao nenhuma da poluicao extremamente visivel! A agua era verde! Sabe tinta verde diluida?! Pois eh, igual! Chegamos no dia de Krishna, uma Deus para os Hindus. No outro dia alugamos uma motinho e demos voltas ao redor das vilas que tinham perto de Pushkar e a tarde, como estava muito quente e sol, ficamos tomando banho de piscina em um hotel do lado do nosso. Muito refrescante! Final de tarde, mais fresco, saimos para visitar mais um templo ("Da um templo", como diz meu amigo Fred) e assistimos ao por do sol sentados em frente ao lago.
A noite pegamos um sleeper bus e fomos para Udaipur. Foram 8 horas de viagem, onde viemos saculejando na "cama" do onibus e chegamos dia 18/08, as 5h da manha em uma cidade que estava sem luz, alem de tudo chovendo. Por muita sorte o hotel que ficamos era bem gostoso! Geralmente olhamos 3 hoteis quando chegamos num cidade, mas devido as condicoes paramos logo no primeiro... Impossivel procurar hotel no meio de ruas escuras, a luz de velas e lanternas.
Udaipur eh muito charmosa, com um lago lindo e bem romantico. No primeiro dia, depois de dormirmos algumas horas, fomos visitar o City Palace (mais um palacio antigo), a tarde sentamos num cafe e a noite fomos assistir a uma apresentacao de danca tipica do Rajastao. Muito interessante! A noite fiquei de cama... Passei muito mal com a comida do almoco!! Nao posso ver comida indiana nos proximos 4 anos pois foi a 2 vez que passei mal em menos de 1 semana!! A comida aqui eh uma loteria, por mais que o restaurante "pareca" ser confiavel, vc nunca sabe se vai "sobreviver" depois daquela refeicao... Complicado nao?! Ainda mais pq ainda tenho pelo menos mais 13 dias de India.
A madrugada todinha passou chovendo e o outro dia amanheceu com muita chuva!! Impossivel de fazermos qualquer coisa! Tinhamos programado ir visitar uma vila muito agradavel e assistir ao por do sol de um dos melhores pontos de Udaipur, mas foi impossivel. No outro dia pela manha partimos para Jaisalmer, parte da viagem com direito a safari no deserto de camelo!! Ja ja conto como foi...

Um dia nunca pensei que...

... estaria no Nepal!! Eh, na minha vida toda nunca pensei que um dia pisaria meus pes no Nepal! Depois de passar dois dias viajando chegamos em uma cidade chamana Janakpur (Ja ouviu falar?? Eu tambem nunca tinha ouvido). Ficamos la so uma noite para poderemos visitar um templo principal, onde tivemos a sorte de chegarmos num dia de celebracao dos hindus. Pegamos os templos da cidade cheios e repletos de manifestacoes religiosas. No outro dia logo pela manha cedo pegamos o onibus para Kathmandu. Por falar em onibus nao posso deixar de citar a aventura de viajar nesse meio de transporte pelo Nepal (aqui nao tem trem). Assim como na India, eles entopem o onibus de gente e param em tudo que eh cidadezinha para embarque e desembarque. Fora as pessoas que viajam em cima!! Isso, no teto, pegando um arzinho fresco da estrada!!
"Querida familia e amigos, aqui estou eu em Kathmandu, capital do Nepal com 700 mil habitantes!" Chegamos dia 01/08, exatamente no dia que eu estaria fazendo 5 anos no emprego que deixei em Florianopolis. Pensei, pensei, pensei... E nao menosprezando o lugar onde eu trabalhei durante 4 anos e 1/2 e onde cresci bastante profissionalmente, dei gracas a Deus de estar no Nepal nesse dia e fazendo essa viagem maravilhosa... Sao contextos diferentes, mas pensando friamente e emocionalmente ao mesmo tempo, estou tendo uma licao de vida incrivel!
Mais uma vez coisas novas, pessoas novas, lugares novos... Tudo diferente! As ruas da cidade sao estreitas e cheias de ladeiras. Aqui os carros tambem andam desviando dos rickshaws, das pessoas, das motos... Menos das vacas!! Aaaaahhhh, no Nepal nao tem vaca no meio da rua! Consequentemente eh tudo mais limpo e nao precisa caminhar olhando para o chao. Aqui, na parte religiosa, eh uma mistura de budismo com hinduismo. Tem pessoas que seguem as duas religioes, mas o que mais predomina (no meu ponto de vista) eh o budismo. Tambem, estamos grudadinhos no Tibet!
Ficamos hospedados numa rua bem turistica, numa regiao chamada Thamel, com muitas lojas, hoteis, bares e restaurantes (de todos os tipos). Parece muito com a Kaosan Road, de Bangkok (Thailandia). Dali saiamos todos os dias caminhando, pegavamos um onibus local e iamos visitar os templos buditas, as stupas, os templos hindus, as vilas, as cidades ao redor de Kathmandu... Teve um dia que visitamos uma stupa chamada Boudha, linda, enorme, com varias pessoas peregrinando ao seu redor (as pessoas rezam dando voltas e mais voltas na stupa). Nos almocamos no terraco de um restaurante, depois descemos para "sentir" o clima do lugar e logico rezar... Foi um dos momentos mais marcantes de toda a minha viagem... Ver todas aquelas pessoas, sentir o cheiros dos insensos, ouvir as musicas, os mantras budistas, sentir aquela energia incrivel!! Sentei na stupa, fechei meus olhos e comecei a meditar, agradeci muito a Deus por tudo que esta acontecendo na minha vida... Na minha cabeca veio todo o filme da viagem (de como surgiu a ideia ate aquele momento), das dificuldades que passei, imagens de varias pessoas importantes na minha vida, sentimentos,... Comecei a chorar de tao emocionada que fiquei... E as lagrimas nao paravam de descer!! Foi lindo e parecia que eu estava colada na stupa, nao conseguia sair dali... A tarde terminou com a gente sentado na stupa, vendo o por do sol... Depois fomos tomar um cafe.
Foram 7 dias na capital do Nepal. Comecei ali a gostar muito desse pais... Repleto de belezas naturais, pessoas muito simpaticas, muita religiosidade e espiritualidade... Fora que todos, ate criancinhas no meio das vilas mais afastadas, falavam ingles!! Era cada hora uma pessoa que nos surpreendia. Por ser Kathmandu, logico que encontramos muita confusao, transito, uma certa poluicao, mas tudo que da para suportar em um curto espaco de tempo e quando se tem diversas coisas interessantes ao redor para visitar e ver. Dali pegamos um onibus turistico (muito mais civilizado que os onibus locais) e fomos para Pokhara... Atravessamos para o meio do Nepal!
Ah Pokhara!!!! Que de-li-cia! Uma cidadezinha que tem um lago super gostoso, natureza linda e de onde eh possivel ver as montanhas do Himalaia! Tivemos muita, mas muita sorte, pq nessa epoca do ano (devido as nuvens) eh muito complicado ver o Himalaia daquele ponto... Mas em uma noite, a primeira de lua cheia, a luz da lua tava tao forte que iluminou as montanhas e a falta de nuvens fez a gente ficar de queixo caido ao ver o Himalaia ali, como se a gente pudesse tocar com as maos! Fantastico! Ficamos horas admirando tudo aquilo! A lua, o ceu, as montanhas! No outro dia logo de manha cedo o Himalaia ainda estava la e conseguimos ver bem as montanhas nevadas, com mais de 7 mil metros de altura! Um espetaculo!
Foi outro SPA para a mente os dias em Pokhara! Fizemos uma trilha ate uma stupa localizada em cima de uma das montanhas ao redor do lago, andamos de barquinho pelo lago, um dia alugamos uma moto e fomos visitar as vilas e as melhores vistas perto da cidade, lemos, descansamos... Foi 10! Nem parecia que estavamos no Nepal em uma epoca de confusao politica, em beira a uma guerra civil, com negociações entre o governo e a guerrilha maoísta, podendo explodir a qualquer momento. A unica manifestao mais forte que vimos foi uma passeata (que passou em frente ao nosso hotel) com dezenas de pessoas carregando tochas!
Nada que chocasse... Apenas nos fez lembrar do clima politico que o pais estava vivendo, enquanto a gente estava aproveitando da melhor forma todos os dias e momentos.
Como faz parte da viagem, depois de 13 dias no Nepal, tivemos que partir e voltar para a India. Mais uma mudanca... Pegamos uma estrada durante 6 horas que praticamente nao tinha linha reta! Era tanta curva, tanta curva que nao sei como consegui resistir e nao passar mal! Coisa que nao aconteceu com algumas criancas e adultos no onibus...
Enfim, atravessamos a fronteira para a India e ca estavamos nos, de volta para o calor infernal e humido, a sujeira, vacas e animais no meio das ruas, confusao...

Friday, August 18, 2006

Da agua para o vinho...

Varanasi... Chegamos embaixo de um calor infernal. Primeira providencia foi encontrar um hotel para ficarmos. Decidimos ficar no Pooja Guest House, em um dos Ghats do rio Gange (rio sagrado e venerado pelos hindus). Ghats eh como se fossem "portais" que levam as pessoas para o rio. Eh complicado imaginar como sao as ruas que levam ao Gange... Eh preciso desvirar (tudo ao mesmo tempo) das pessoas, bicicletas, motos, vendedores, policiais, vacas, vacas, vacas, touros, cabritos, cabritos, bostas de tudo isso, moscas, moscas, moscas, flores... Ao mesmo tempo que eh possivel sentir cheiros desagradaveis, os cheiros das flores e dos insensos se misturam no ar. As ruas sao bem estreitas, tanto que carros e rickshaws nao podem entrar. Quando estava andando com meu mochilao nas costas (logo que chegamos) uma vaca me estranhou e veio pra cima de mim... Ainda bem que o chifre dela foi direto na mochila... Fazer alguma coisa com a idolatrada vaquinha??!! Nem pensar... Ela eh adorada na India! Outra coisa interessante eh que os quartos do nosso hotel tinham grades! Grades nao so para proteger de algum ladrao humano espertinho, mas principalmente das centenas de macacos! Muitos macacos circulavam pelos telhados, terracos e janelas das casas e predios...
Logo depois de instalados, caminhamos pelos Ghats e fomos assistir ao ritual de cremacao que acontece na beira do rio, todos os dias, durante todo o dia! Do nosso hotel era possivel ver e sentir o cheiro de fumaca da cremacao... Eles fazem um ritual onde o corpo eh levado coberto de flores para o rio, eh banhado nas aguas do Gange, depois levado para um dos pontos de cremacao. As pessoas da familia de quem faleceu se vestem de branco e os homens raspam os cabelos. Varios corpos sao cremados ao mesmo tempo, ao ar livre... O clima eh pesado e eh impressionante ver tudo aquilo. Nao pode tirar foto, registrar nada...
Assistimos no mesmo dia uma cerimonia realizada tambem na beira do rio, onde os hindus fazem oferendas com rosas e velas na Gange, cantam, acendem insensos, tocam instrumentos... Sao milhares de pessoas no mesmo lugar e a cerimonia acontece todos os dias as 19h. Me lembrei das oferendas que fazemos no Brasil para Iemanja e dos rituais cometidos pelo Candomble. Eh de longe semelhante, por causa das flores, da agua, da musica...
Um dia pegamos um rickshaw e fomos para Sarnath, uma cidade pequena perto de Varanasi onde visitamos varios templos (Budista japones, chines e thailandes, Hindu e Stupas). Foi bem tranquilo, longe da confusao do transito e dos guats de Varanasi. Falando do transito... Salve-se quem puder!!! Os carros, onibus, cicle rickshaws, moto rickshaws, taxis, vacas, carrocas, cavalos, pessoas, bodes, bicicletas... tudo andando no mesmo lugar ao mesmo tempo! Eh possivel ouvir as milhares de businas, pessoas falando, vendedores gritando, tudo misturado, uma poluicao sonora incrivel! Atravessar de um lado para o outro da rua era uma aventura!
Ficamos 3 dias em Varanasi! Foi muito e isso so aconteceu pq o Fred ficou um dia de cama com febre e dor de cabeca. Achamos que foi porque o ar pesado e concentrado da cidade o fez mal. Eh o tipo de cidade que se vc esta visitando a India tem que ir, eh necessario ir!! Mas existe um limite para tanta confusao. Por isso precisavamos descansar antes de atravessar a fronteira do Nepal.
Saimos de la e de trem chegamos perto de Darjiiling, uma cidade montanhosa (2000 metros de altura) perto do Nepal, do Tibet e do Butao... Sim, bem ali em cima... Conseguiu visualizar?? Da estacao de trem pegamos um jipe para subirmos as montanhas... Quando estavamos subindo ja fomos sentindo a diferenca do clima (um arzinho agradavel e cheiro de ar puro, muito verde ao redor). Ficamos instalados num hotelzinho muito fofo onde os proprios donos tomavam conta. A dona era uma senhora muito simpatica chamada Matilda, que nos dava atencao o tempo todo.
Darjiiling foi o ideal para descansar, um verdadeiro SPA da mente! Andamos pelas ruas cheias de lojinhas, restaurantes e cafes, visitamos um refugio tibetano, passeamos pelas plantacoes de cha, fizemos uma pequena trilha, sentamos varias vezes em um cafe para ler, tomamos varias vezes uma sopa tipica tibetana (de-li-ci-o-sa)... Uma coisa muito interessante eh a mistura das pessoas que moravam la... Uma mistura de indiano, com nepalense e tibetano. As mulheres eram lindas... Muitas com os cabelos lisos e negros (tipico indiano), pele morena (tipico indiana), olhos puxados (tipico tibetano), com um belo sorriso (tipico nepalense) e vestidas com sarees coloridos (tipico indiana). Ficar parado na rua vendo as pessoas indo e vindo era uma delicia!!
Eu e Fred estavamos um pouco mal do estomago, culpa do primeiro almoco que comemos ao chegar na cidade, por isso tinhamos mais eh que ficar mesmo descansando e comendo coisas leves. Sair de Varanasi para la foi uma mudanca da agua para o vinho, ou eu diria algo meio do 8 para o 80, ou quem sabe do inferno para o ceu!!! Depois de 4 noites e 5 dias saimos de Darjiiling e comecamos nossa maratona para atravessar a fronteira para o Nepal... Bye bye clima de montanha, limpeza e tranquilidade!!

Tuesday, August 01, 2006

Khajuraho... tranquilidade, templos e novos amigos

E assim fomos nos... Primeira parte da viagem 2 horas de trem com ar condicionado... Segunda parte 5 horas de onibus local, apertado, ligeiramente sujo e numa estrada que mais parecia que estavamos fazendo um rali do que uma simples travessia de uma cidade para outra! Mesmo sendo um pouco perigoso, acaba sendo divertido. Musica indiana tocando no busao, a estrada com espaco o suficiente para passar um carro tranquilamente de cada vez (quando vem outro veiculo na direcao contraria eles desviam um do outro, businando insistentemente), pessoas embarcando e desembarcando a todo o instante... Nossas mochilas foram no teto, assim como toda as bagagens, protegidas por uma londa de plastico e amarradas para nao cairem. Chegar em Khajuraho acabou sendo um alivio, principalmente tambem pq a cidade eh muito, mas muito mais tranquilo que Agra.

Com apenas 19 mil habitantes, cidadezinha do interior mesmo, mais limpa (ou menos suja), sem transito, mas ainda com vacas e outros animais na rua. Inclusive dessa vez vi ate um elefante sendo utilizado como meio de transporte. Ficamos no hotel Lakeside, simples, mas bem agradavel na frente de um laguinho, com uma vista bonita e onde era possivel ver o por do sol. Logo na primeira noite fizemos amizade com alguns indianos, com quem ficamos de bate papo ate bem tarde.

No segundo dia visitamos o conjunto de templos hindus onde foi possivel ver esculpidos em barro figuras dancando, musicos, deuses e esculturas com temas eroticos, grupos em posicoes do kamasutra. Muitos dos templos foram construidos basicamente 900 anos antes de Cristo e outros em meados de 1025 e 1050, como o templo de Shiva, Kandariya-Mahadev. Uma mistura de crencas e manifestacoes. Dentro de cada um deles tinha uma especie de altar e mais esculturas ao redor. Para entrar em todos os templos, assim como fizemos em Agra, e fiz tambem em Bangkok, eh necessario tirar os sapatos. O jardim era tao lindo e florido que o verde se misturava com a cor barroca dos "predios" com o azul do ceu. Isso fez com que a beleza do local impressionasse mais ainda.

Mais uma vez a noite encontramos nossos amigos e ficamos de papo, tomando uma cervejnha e ouvindo musica... Foi muito legal! Se integrar com as pessoas da regiao onde estamos visitando eh uma das coisas mais interessantes da viagem. Falamos das caracteristicas dos nossos paises, modo de vida, experiencia que tivemos, religiao, etc. O Vicky, um dos amigos e muito gente boa, nos deu uma dica de uma cidade no norte da India chamada Rishikeshi, onde eh um dos melhores lugares para fazer aula de yoga. Quem sabe no final da viagem por aqui paro por la e fico mais pelo menos uma semana relaxando?! O Fred esta praticamente decidido a fazer isso. Eu ainda estou pensando....

Tiramos um dos 3 dias na cidade para caminharmos e conhecermos a regiao mais simples e pobre. Visitamos uma escola, passamos por ruas, sentamos num bar, visitamos outro templo (mais simples)... Khajuraho foi tranquilo, divertido por causa dos nossos amigos e interessante por causa dos templos. Excelente parada para relaxar antes de partir para Varanasi. Inclusive, todos diziam, ate os proprios indianos, que Varanasi eh uma cidade grande, antiga, com muita gente, as vezes perigosa, conturbada e suja... Mas como sempre, ouvir eh completamente diferente de viver...

Cai em outro mundo

Quando desembarquei no aeroporto internacional de Delhi comecei a viver outra historia, assim como se tivesse acabado um livro sobre a bibliografia do Paulo Coelho e passasse a ler um sobre a bibliografia de Alan Kardec ou do hemofilico Betinho. Na sala de espera onde vc sai com as suas malas me deparei com centenas de pessoas ao redor do corrimao que levava ate a porta de saida... Me senti como se eu fosse a Julia Roberts passando em alguma especie de tapete vermelho!!

O aeroporto eh mais simples que a propria rodoviaria do Rio de Janeiro e eu tive que ficar 5 horas esperando o Fred chegar, pois voamos em companhias aereas diferentes. Do lado de fora varias pessoas dormindo diretamente no chao e um calor infernal. As 4h da manha saimos dali, pegamos um taxi pre-pago e fomos para a estacao de trem... Se o aeroporto ja era daquele jeito, imagina a estacao de trem!! Saimos do taxi e levamos um choque! Eu ja morei anos no Rio, viajei muito pelo nordeste.... Mas nunca, nunca tinha visto nada desse jeito.... Pessoas muito pobres dormindo por todo o canto, em cima dos carros, no chao da rua, na calcada, na entrada da estacao! Era muita gente e a quantidade de mosca, o fedor.... Realmente ali senti como se realmente estivesse pisando em outro mundo.

Partimos direto para cidade de Agra (1,3 milhoes de habitantes) naquele dia e chegamos pela manha. O trem era agradavel, com ar condicionado, cadeiras confortaveis, com servico de bordo e tudo! Assim que chegamos ja fechamos com um taxista de nos levar a alguns hoteis para podermos escolher em qual iriamos ficar. O que eh mais importante em um hotel na India?? Limpeza!! E assim ficamos em um que o quarto era clean e com ar condicionado. Alem disso, o hotel, que se chamava Turist Rest House, tinha um jardim bem gostoso com mesinhas, onde funcionava os servicos do restaurante.


Mais um choque ao andar pelas ruas foi a quantidade de animais que vc consegue ver no meio das pessoas, assim, como se estivessemos em uma fazenda, mas nao... eh uma avenida, uma rua normal de uma cidade. Algumas pessoas que ja tinham vindo pra India e que eu conhecia ja tinham me falado, mas viver eh outra historia. Vacas, porcos, cabritos, cachorros, macacos, camelos, galinhas... Imagina a quantidade de bosta (desculpe o palavriado, mas nao tem outro jeito para definir) espalhada no chao... E assim, imagina a quantidade de moscas... Eh galera, a realidade aqui eh outra. E tem indianos que andam descalcos, como a gente anda ai no Brasil na areia limpinha da praia.

Pobreza, simpatia, um olhar profundo, simplicidade, desespero por vender coisas para ter dinheiro e assim algo para comer.... Assim eh o povo daqui. A gente como turista eh assediado o tempo todo para comprar coisas, contratar um guia para os lugares turisticos, andar de rickshaw (especie de tuc tuc, so que alem da versao motorizada, tem a versao bicicleta), etc etc. Nao podemos nem olhar, pq mesmo se nao olharmos algumas veses eles insistem de uma forma irritante.

Mas eh tudo muito diferente... Ao mesmo tempo que tem essa pobreza enorme, sujeira e muito baulho nas ruas, eh possivel caminhar e ver o sorriso de uma crianca, a alegria das pessoas em vc apenas tirar uma foto delas e mostrar no visor da camera, o cheiro de insenso e de flores que se mistura no ar, o olhar das pessoas, a energia, a religiao e a simpatia de muitos.

Em Agra visitamos o Agra Forte, construido em 1565 pelo imperador Akbar. Grande parte feito de marmore, fui utilizado primeiramente como uma estrutura militar, depois ganhou reforma e tornou-se tambem um palacio. Muito bonito em detalhes e de la conseguiamos ver o imponente Taj Mahal. Haaaa.... O Taj Mahal.... Realmente eh muito lindo... Impressiona e emociona. Eh todinho feito em marmore branco, com pinturas em flores esculpidas em muitas partes. Na frente tem um espelho d' gua que o reflete por inteiro. Ao redor um jardim muito bonito e em cada lado do Taj mesquitas construidas perfeitamente alinhadas. E o interessante eh que o Taj Mahal nada mais eh que um mausoleu, construido em 1631 por Shah Jahan como um memorial a sua segunda esposa Mumtaz Mahal que faleceu dando a luz ao 14o filho deles. Somente em 1653 ele foi totalmente acabado. Mais de 20 mil indianos trabalharam na sua construcao.

Tambem fomos em Fatehpur Sikri, uma cidade pequena com 28 mil habitantes, para visitarmos mais uma mesquita chamada Jama Masjid. Foi interessante pois pegamos um guia local muito simpatico que dizia saber falar ingles, frances, espanhol, alemao.... Eh e devia saber mesmo pq ele depende desse trabalho para sobreviver. Percorremos os saloes da mesquita e andamos ao redor de um palacio chamado Jodh Bai, podendo ver de fora sua estrutura e ao mesmo tempo podendo acompanhar a vida dos indianos que vivem e trabalham por ali.

Pegamos um final de tarde e fomos para o restaurante de um hotel localizado no seu terraco e onde tinhamos uma vista deslumbrante do Taj. Ficamos ali de bate papo com algumas pessoas, tomando um suco... A noite passeamos pelo mercado e paramos num cafe. Logo no dia seguinte pela manha ja estavamos indo de trem e onibus para a cidade de Khajuraho. Passamos 3 dias em Agra e foi uma primeira grande impressao de como seria a viagem pela India. Logico que sempre acontecem variacoes, como foi possivel sentir logo no nosso proximo destino...

Nao eh China, eh Hong Kong!!

Chegamos em Hong Kong dia 13 de julho... Comecei sentindo a diferenca ja pelo aeroporto, ultra moderno e muito lindo!! Pegamos um onibus expresso para a regiao do albergue e chegamos em uma horinha. Tinhamos a opcao de pegar um trem expresso, que leva uns 15 minutos e nos deixaria tambem praticamente no mesmo lugar. Porem, pra variar o que diferenciou nossa escolha foi o fator preco. O dolar de Hong Kong estava a 7.7 de diferenca do dolar americano. Enquanto o trem nos custaria 120 dolares HK, o onibus nos custou 21... Para simples mochileiros, grande diferenca, ainda mais pq Hong Kong eh uma cidade muito cara, entao precisavamos economizar em tudo!

Posso dizer que experimentei todos os meios de transporte de la, como bonde, oinibus, taxi, farry, metro... Praticamente todos os onibus e bondes possuem dois andares e vc precisa pagar com o dinheiro certinho, pois vc coloca numa caixinha e nao tem troco. Todos os taxis sao iguais, mesmo modelo de carro e cor. O metro eh altamente limpo, moderno e te leva pra todo canto, podendo te deixar dentro dos predios e shoppings e ainda possui uma passagem por dentro da agua, ligando a outras partes da cidade... Alias, a cidade eh muito limpa, organizada e segura. Eh possivel caminhar a hora que for que nao precisa ter medo. Conheci pessoas que moram la que me deram esse depoimento. Assim como tambem me disseram e que eu pude constatar que Hong Kong eh elitizada, as pessoas dao muito importancia para a aparencia, ao status, tem muitas lojas de grifes, salao de beleza, restaurantes, alugueis caros.... Por isso o custo de vida eh alto... Pra uma pessoa sobreviver sem luxo nenhum precisa ganhar no minimo 15 mil dolares HK.

Todos falam ingles!! Inclusive as universidades dao aulas e material didaticos todos em ingles. Quem faz faculdade fora, em outro pais, acaba sendo mais valorizado por causa da segunda lingua... Para quem trabalha, o tempo de ferias depende do tempo que esta na empresa... Comecando com 1 semana e aumentando gradativamente. Alem de em muitos empregos eh necessario trabalhar ate sabado ao meio dia. E a gente ainda reclama do sistema trabalhista no Brasil!! Um mes de ferias todo ano eh luxo!

Na primeira noite fui conhecer a vista noturna da cidade... Subi de trem no Victoria Peak e fiquei embasbacada com o colorido e o tamanho dos predios. Eh impressionante!! Nos outros dias conheci o museu nacional de arte, uma galeria de arte, caminhei pelas ruas, caminhei por uma avenida na beira do mar chamada Rua dos Artistas, onde tinha a vista de toda Hong Kong e que por incrivel que pareca nas caixas de som distribuidas na avenida estava tocando bossa nova! Me senti tao bem....

No albergue conhecemos duas brasileiras, de Sao Paulo, que sao descendentes de japoneses e que tambem estavam de passagem por Hong Kong. Super gente boas! Um dia a noite sai com elas e mais uma turma enorme de amigos, entre eles mais 3 brasileiros, todos de olhinhos puxados! Foi muito divertido pq fomos ao Outback jantar e depois saimos para a rua da balada, com varios barzinhos e boates... Uma especie de Vila Madalena de Sao Paulo. Sendo que no meio da madrugada comecou a chuver muito forte e passou um tufao, com um grau nao tao violento mas que conseguiu me assustar e nos deixar ilhados, sem conseguirmos voltar para o hotel. O vento e a chuva era muito forte... Alagou algumas ruas, cairam barreiras... Tivemos que esperar pelo menos 2 horas para procuramos um taxi longe de onde estavamos.... Por isso ainda pegamos chuva no meio do caminho e tivemos que implorar para um taxista nos pegar! Mas enfim, tudo acabou bem!! Valeu a experiencia... Vivi um tufao em Hong Kong gente! Hehehehe!

No supermercado 24 horas na rua onde estavamos hospedados encontrei uma das delicias brasileiras que estava com muita saudade!! Passando por ali, um dia comprando meu cafe da manha, vi uns paezinhos amarelos redondinhos no canto da padaria.... Nossa.... Pao de queijo em plena Hong Kong!! E ainda por cima delicioso.... Foi uma farra... Comprei pra mim e pro Fred que mal acreditava naquilo que estava vendo e comendo!

Nao posso deixar de citar a quantidade de gente que tem no meio das ruas... Eh muita gente... Inclusive o domingo nem parecia domingo... As ruas estavam lotadas, as lojas abertas, um agito enorme. Cidade do consumo!! Alguma semelhanca com Sao Paulo? A unica diferenca eh que a classe media alta e alta propriamente dita foge de Sao Paulo na sexta-feira a noite e vai para alguma praia no verao ou para Campos de Jordao no inverno.

Ficamos mais 2 dias na cidade alem do previsto pois nossas passagens nao estavam marcadas e os voos estavam lotados. Precisavamos tentar embarcar indo ao aeroporto e ficando na lista de espera. Conseguimos sair dia 17 e partimos para Delhi, capital da India, para comecar a viver outra fase completamente diferente da viagem... Cinco horas de aviao nos separava de outra realidade!

Apaixonada, assim fiquei...

Depois de mais 2 dias em Ko Tao me recuperando um pouco do choque que foi receber a noticia sobre minha cunhada Josi e do meu sobrinho Arthur, parti para Ko Panghan, onde fui me encontrar com o Fred, que estava vindo de Hong Kong e so veio para Panghan pq eu estaria la e precisava de um ombro amigo com urgencia....

Com certeza foi fundamental me encontrar com ele, pois precisava de alguem do meu lado que pudesse me escutar e que pudesse tambem me passar boas energias referentes a viagem. Minha vontade era voltar, voltar e voltar para o Brasil... Mas o Fred, tanto quanto toda a minha familia e amigos me diziam para continuar, pois essa viagem eh a realizacao de um sonho meu e que nunca sabemos quando poderemos realizar nossos sonhos novamente!

Incrivel, apesar de toda a dor que eu estava sentindo, as pessoas estavam certas e eu continuei. Passamos mais uns 4 dias em Ko Phangan. Essa eh uma ilha da Thailandia que posso resumir com uma simples palavra, badalacao... Eu nao estava no pique de balada e estava completamente sensivel....

Ficamos em um hotel onde os bangalos eram de frente para a praia de Hat Rin, uma delicia, pois ainda era bem no cantinho da praia, um pouco longe do agito dos bares. Assistimos o ultimo jogo do Brasil da copa na areia deitados em pufs, fizemos uma trilha meio programa de indio onde tivemos que voltar pq nao encontramos o fim, curtimos uma praia relax pertinho de Hat Rin, comemos muita panqueca no bar Chicken in Corner.... Depois de alguns dias decidimos ir para Ko Tao... Eh Koa Tao again.... Convenci o Fred de fazer o mesmo curso de mergulho que eu fiz e la fomos nos.

Pra mim foi excelente voltar pois amei essa ilha e ela era perfeita para recarregar as energias! Passamos mais uma semana la, pq alem do Fred fazer o curso eu ainda fiz um fun dive (saida de mergulho) sozinha e mais dois fun dives junto com ele. Fizemos amizade com tres ingleses que estavam no mesmo hotel, Vanessa, Cris e Olly. Com eles curtiamos a praia, as vezes almocavamos juntos, tomavamos cerveja no deck do hotel no final de tarde, iamos aos bares a noite... Foi muito bom essa nova temporada em Ko Tao, me fez sentir em casa pois reencontrei o pessoal do meu curso de mergulho, ja sabia onde era gostoso ir para comer, assistir filmes e tomar um bom shake de frutas. Me toquei durante esses dias la que a nossa vida so mesmo Deus pode mudar e que quando temos oportunidade de viver intensamente devemos fazer isso da melhor forma, nao deixar passar, nao se arrepender de nao fazer!!

Por isso, em muitos momentos pensava na Josiane e imaginava o quanto ela gostava e gostaria de estar fazendo o que eu estava fazendo... Esquecia do mundo e aproveitava tudo ate o ultimo instante, recarreguei minhas energias e parti de Ko Tao com uma sensacao muito grande de saudade das 2 semanas no total que passei ali. Serio, meu coracao saiu partido pois foi ali que minha viagem teve um marco, uma mudanca interna muito grande aconteceu dentro de mim, mudanca de sentimentos e de pre-conceitos.

Seguimos para Bangkok onde passamos mais 3 dias. Chegamos as 4h da manha embaixo de uma chuva que pelo menos refrescou nossa andanca pela procura de um hotel agradavel e com um bom preco perto da Kaosan Road. Da outra vez que passei por essa cidade so fiquei um dia e agora foi o momento de conhecer melhor a famosa e intrigante capital da Thailandia.

Tirei um dos dias para conhecer o museu de historia e os templos do Grand Palace... Definitivamente os templos mais lindos que vi ate agora!! Templos budistas, com uma riqueza tao grande que ate faz questionar... Muitas pecas banhadas a ouro, um Buda de esmeralda, pedras preciosas por todos os lados.... Foi interessante ir ao museu tambem pq pude acompanhar uma guia inglesa que explicava com detalhes a historia dos reinados, da manifestacao de religiao budista em pinturas, esculturas, pecas, no dia a dia das pessoas.

Ha.... Fizemos algumas comprinhas tambem pois Bangkok eh um dos melhores lugares para comprar roupas, bolsas, sapatos... Os produtos sao muito lindos e os precos excelentes. Trocamos lirvos ja lidos por livros novos em um cebo... Tambem tirei umas horinhas pra me cuidar, afinal de contas depois de 2 meses de viagem precisava dar um UP no visual... Tratei o cabelo, pintei as unhas dos pes e das maos.... Inclusive eles, os thais, dao muita importancia a beleza e ao relaxamento, tanto que quando a moca do salao foi lavar meu cabelo ela simplismente fez uma massagem no meu couro cabeludo!! Enquanto no Brasil eles quase arramcam seus cabelos no lavatorio! Durante as semanas nas ilhas tambem fiz muita massagem thailandesa.... Posso dizer que eh um espetaculo, pois alem deles soltarem todos os nodulosinhos eles estalam seu corpo inteirinho, dos pes a cabeca!!

Me apaixonei pela Thailandia.... Muito shake, frutas, comida tipica maravilhosa (saudade do Pad Tai - noodles fininho com um tempero incrivel), massagens, praias magnificas, pessoas muito simpaticas e acolhedoras, facilidade de fazer turismo, cultura local, lindos templos, tuc tucs, taxi boats, sensacao de liberdade, sol, pele morena, a religiao budista.... Apesar de encontrar tambem, quase especificamente em Bangkok, pobreza, barulho, poluicao, uma tentativa de exploracao ao turista com precos diferenciados no mercado... Mas um dia com certeza irei voltar para curtir mais as ilhas e para conhecer o norte do pais ( que nao fui dessa vez pq estava em epoca de chuva forte). Apaixonada, assim fiquei....